Filosofia – Texto 2 – Atitude Filosófica

Publicado: 22nd maio 2011 por viamedicina em Primeiro Ano

Atitude Filosófica

“Conhece-te a ti mesmo”
A palavra oráculo tem dois significados principais: “consultar um oráculo” e “receber um oráculo”.
No primeiro caso significa “uma mensagem misteriosa” enviada por um deus como resposta a uma indagação feita por algum humano; é uma revelação divina que precisa ser decifrada e interpretada.
 No segundo, significa “uma pessoa especial”, que recebe a mensagem divina e a transmite para quem enviou a pergunta à divindade, deixando que o interrogante decifre e interprete a resposta recebida. 

Neo e a Matrix

Matrix – palavra latina deriva de mater, que  quer dizer “mãe”. Em latim, matrix é o órgão das fêmeas dos mamíferos onde o embrião e o feto, se desenvolvem,o útero.
A Matrix é o computador gigantesco que escraviza os homens, usando a mente deles para controlar suas percepções, seus sentimentos e pensamentos,fazendo-os crer que é real o que é aparente. 

Neo e Sócrates

Sócrates andava pelas ruas de Atenas fazendo perguntas aos atenienses.
A pergunta “O que é?” era o questionamento sobre a realidade essencial e profunda de uma coisa para além  das aparências . Sócrates levava os atenienses adescobrir a diferença entre parecer e ser, entre mera crença ou opinião e verdade.
Como os de Neo, os combates socráticos eram também combates mentais ou de pensamento.
O paralelo entre Neo e Sócrates não está apenas no fato de que ambos são instigados por “espíritos” que os fazem desconfiar das aparências, nem apenas por ambos constarem um oráculo e receberem como mensagem o “conhece-te a ti mesmo”, e nem mesmo porque ambos lidam com matrizes.
Podemos encontra-lo também ao comparar a trajetória de Neo até o combate final no interior da Matrix com um dos mais célebres escritos do filósofo Platão, discípulo de Sócrates.  Essa passagem encontra-se na obra intitulada A República e chama-se “O Mito da Caverna”.

Exercendo nossa liberdade

Julgamos que as qualidades e as quantidades existem; que podemos conhecê-las e usá-las em nossa vida.
Vemos as coisas nos lugares em que elas estão ou do lugar em que estamos, e que a percepção visual varia de acordo com a distância: se estão próximas ou distantes de nós.
Consideramos a mentira diferente do sonho, da loucura e do erro, porque o sonhador, o louco e o que erra se iludem involuntariamente, enquanto o mentiroso decide voluntariamente deformar a realidade e os fatos.
Acreditamos que o erro e a mentira são falsidades, embora diferentes, porque somente na mentira há a decisão de falsear.
Acreditamos, que as pessoas, porque possuem vontade, podem ser morais ou imorais, pois cremos que a vontade é o poder de escolher entre o bem e o mal. Exercer tal poder é exercer a liberdade, pois temos a crença de que somos livres porque escolhemos voluntariamente nossas ações, nossas ideias, nossos sentimentos.

 

Conhecendo as coisas

Acreditamos que ter objetividade é ter uma atitude imparcial, que percebe e compreende as coisas tais como são, verdadeiramente,  a subjetividade é uma atitude parcial, pessoal, ditada por sentimentos variados (amor, ódio, medo, desejo).
A objetividade percebe perfeitamente a realidade e não a deforma.
A subjetividade não percebe adequadamente a realidade e, voluntária ou involuntariamente, a deforma.  
Os seres humanos seguem regras e normas de conduta, possuem valores morais, religiosos, políticos, artísticos.
Somos seres sociais, morais e racionais, pois, regras, normas, valores, finalidades só podem ser estabelecidos por seres conscientes e dotados de raciocínio.
Nossa vida cotidiana é toda feita de crenças silenciosas, da aceitação de coisas e ideias que nunca questionamos porque nos parecem naturais e óbvias.
Cremos na existência do espaço e do tempo, na realidade exterior e na diferença entre realidade e sonho, assim como na diferença entre sanidade mental ou razão e loucura. Na existência das qualidades e das quantidades.
Somos seres racionais capazes de conhecer as coisas e por isso acreditamos na existência da verdade e na diferença entre verdade e mentira; cremos também na objetividade e na diferença entre ela e a subjetividade. Cremos na existência da vontade e da liberdade, na existência do bem e do mal, crença que nos faz aceitar como perfeitamente natural a existência da moral e da religião.
Cremos também que somos seres que naturalmente precisam de seus semelhantes daí tomamos como um fato óbvio e inquestionável a existência da sociedade com suas regras, normas, permissões e proibições.

E se não for bem assim?

“Conhece-te a ti mesmo” – antes de tentar resolver os enigmas do mundo externo, será mais proveitoso que comece compreendendo-se a si mesmo.
Cremos que nossa vontade é livre para escolher entre o bem e o mal. Cremos também na necessidade de obedecer às normas e às regras de nossa sociedade.
Há momentos em que vivemos um conflito entre o que nossa liberdade deseja e o que nossa sociedade determina e impõe.

Momentos de crise

Quando uma crença contradiz outra ou parece incompatível com outra, ou quando aquilo em que sempre acreditamos é contrariado por uma outra forma de conhecimento, entramos em crise.
Quando o que era objeto de crença aparece como algo contraditório ou problemático e por isso se transforma em indagação ou interrogação, estamos passando da atitude costumeira à atitude filosófica.
Essa mudança de atitude indica algo bastante preciso: quem não se contenta com as crenças ou opiniões preestabelecidas, quem percebe contradições e incompatibilidades entre elas, quem procura compreender o que elas são e por que são problemáticas está exprimindo um desejo, o desejo de saber.